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Ana Luísa: o mercado está favorável para o jornalismo esportivo

Autor: Marcio Roberto Torvano
Ana Luísa: o mercado está favorável para o jornalismo esportivo

Uma rosa entre os cravos das chuteiras

A cada dia a idéia de que futebol é coisa de homens é jogada para escanteio. Dentro e fora de campo, as mulheres estão invadindo com charme, beleza e, claro, com muita competência o mundo machista da bola.

No jornalismo esportivo há  grandes profissionais como Regiane Ritter e Claudete Troiano, que foram pioneiras na cobertura de eventos esportivos. Na nova geração, Ana Luiza Ricciardi Rosa, 21 anos, repórter do site estação tricolor (www.estacaotricolor.com.br), especializado no São Paulo, é um exemplo que mulher também entende de futebol e pode trabalhar junto com os homens sem fazer feio.
 Acompanhe no Inove um bate papo muito interessante com a jornalista Ana Luiza Ricciardi Rosa. Ela fala da sua carreira, assédio, preconceito e muito mais.

 Inove: Fale um pouco sobre sua carreira

 Ana Luiza Ricciardi Rosa:  Trabalho como repórter do site Estação Tricolor, um site que cobre exclusivamente o São Paulo. Há três anos faço apenas o Tricolor, comecei muito nova cobrindo o time campeão da Libertadores em 2005. Isso me ajudou muito no crescimento como profissional, já que cresci na profissão trabalhando diariamente com grandes jornalistas que fazem o dia-a-dia do São Paulo. Até gostara de fazer outros clubes, abre a nossa cabeça para o futebol em geral, você se obriga a acompanhar tudo. Ao mesmo tempo, fazer um  só te deixa especialista nele, fica mais fácil, além dos contatos dentro do clube. Hoje, eu prefiro fazer um só.


 Inove: Existe preconceito contra mulher no jornalismo esportivo?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Acredito que exista. Mas eu nunca sofri com isso. Talvez por trabalhar em um clube grande, e todos sabem que não é por acaso que estou lá. Se você não tem condições de trabalhar, não se mantém no lugar, não tem jeito. Nos grandes centros eu acredito que não há mais preconceito com relação às mulheres no futebol, principalmente, apesar desse mundo ainda ser muito machista.

 Inove: Como está o mercado do jornalismo esportivo para as mulheres?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Acho que nunca esteve melhor. Ter uma repórter em um veículo de comunicação é muito bom para a empresa, porque as ouvintes, telespectadoras e leitoras mulheres começam a ser interessar pelo que fazem as jornalistas. Pode parecer que não é verdade, mas muitas mulheres começaram a ver e entender o futebol após ver meninas entrando no meio esportivo. Isso é muito importante até para o desenvolvimento e o crescimento ainda maior do esporte.

 Inove: Você incentivaria mais mulheres a trabalharem no futebol ou não indicaria esta profissão?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Com certeza eu incentivo. Mas é preciso saber que é uma área muito difícil. Você tem que ter disposição, estudar, estar atenta ao dia-a-dia para não perder nada do que acontece e não ficar desatualizada. Uma repórter não antenada às coisas que estão acontecendo no clube é o pior que pode ocorrer para o seu veículo e para a sua carreira.

 Inove: Existe diferença entre a mulher que trabalha no rádio, na Internet ou na televisão?

Ana Luiza Ricciardi Rosa: Acho que todas as mulheres têm a mesma dificuldade. A diferença vem mesmo no estilo de trabalhar. As meninas de rádio geralmente fazem transmissão de dentro do campo, e aí têm que falar com os jogadores na saída do gramado. Isso pode ser mais difícil por causa da bagunça que é quando termina o jogo e todo mundo vai pra cima do jogador.

Já as de TV, eu acredito, têm que ser mais flexíveis, porque as câmeras intimidam as pessoas. Aí, têm que saber como perguntar pra resposta ficar legal. Já Internet é uma união de tudo isso, mas eu considero tranqüilo.  Em relação às mulheres que eu admiro, na verdade, eu admiro todas, pois eu sei como é difícil esse meio. Acho que as pioneiras merecem um destaque especial por abrir o caminho pra gente conseguir chegar onde estamos hoje.
 
 Inove:: Como é o seu contato com os jogadores?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: É ótimo. Um lado diferente de ser mulher é que os jogadores sempre dão atenção, o que, pelo que eu vejo, com os homens é diferente. Não que eles dêem exclusividade, mas sempre param pra dar uma satisfação. Eles tratam com uma delicadeza e gentileza diferente sim, mas o lado ruim é também muito evidente. Se o cara não sabe como é o seu trabalho, há só você entre os homens, é você a primeira a ser taxada de "burra" ou "incompetente", aquela que não sabe nada. Então, isso pode acabar sendo prejudicial. Mas o dia-a-dia é excelente.

 Inove: Você já recebeu cantada de jogador? Existe assédio?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Cantada pra sair, não. O assédio que existe não é desse tipo. Muitas vezes eles elogiam, até mesmo nas entrevistas, tratam bem, aproximam-se mais do que fazem com  os homens, mas isso é pela maior atenção e delicadeza das repórteres. Se você impõe respeito com o seu trabalho, é muito difícil que eles te vejam de outra forma que não profissional. Infelizmente, nem todas as mulheres repórteres pensam assim, o que acaba dificultando a nossa tarefa... Mas isso é problema de cada uma. O respeito vem para quem quer ter.

 Inove: Antigamente algumas repórteres entravam no vestiário mesmo com jogadores nus, você faria isso?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Sim, claro. Se preciso, entraria sem problemas.

 Inove: Você joga futebol?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Sim, sou goleira. Mas agora me dedico mais ao voleibol. De vez em quando, bato uma bolinha.

 Inove: O que você acha do futebol feminino?

 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Acho muito bacana. É um esporte como outro feminino qualquer, torço muito para as meninas da seleção e para que haja investimento nessa área. Temos tudo pra ser tão bons no feminino quanto no masculino.

 Inove: Qual seu sonho como jornalista?
 
 Ana Luiza Ricciardi Rosa: Ainda estou no começo da profissão, não sei ainda qual área desejo seguir dentro do futebol. Mas, com certeza, o que eu desejo sempre é ter o respeito dos companheiros.

Marcio Roberto Torvano - 10 / 03 / 2008